"Falar sobre espiritualidade é falar de relacionamentos. E falar de relacionamentos envolve muito mais do que encontros, responsabilidades, atividades e outras coisas em comum que fazemos. Envolve o que somos, nossa capacidade de nos dar para sermos conhecidos e de conhecer o outro como ele é. É interagir em amor e afeto, numa permanente e íntima comunhão com o outro.
Essa é a grande crise e o grande desafio da espiritualidade cristã neste início de século. Em meio aos avanços tecnológicos e as grandes conquistas científicas, o homem vê-se cada vez mais solitário e distante. O individualismo competitivo do final do século passado desencadeou um sentimento de orfandade e ativismo como nunca tivemos antes. As relações humanas tornaram-se frágeis, inseguras, superficiais e fragmentadas.
Mesmo no mundo religioso, particularmente evangélico, podemos perceber esses sintomas, muitas vezes mascarados pelo ativismo que já não consegue disfarçar o vazio relacional e afetivo experimentado por muitos cristãos. O uso de máscaras e os papéis que representamos reforçam a fragilidade dos nossos relacionamentos e comprometem nossa espiritualidade."
Nesse texto do Pr. Ricardo Barbosa que aborda a espiritualidade no contexto da igreja, encontro um alerta fundamental para a nossa concepção de família. Pois a família é o berço dos relacionamentos. É ali que aprendemos (ou não) a interagir e crescer em amor. De fato, a família é um projeto de Deus para o exercício de nossa vocação como seres criados à imagem de um Deus relacional.
Por isso também, a família é um alvo do diabo. Esse ser maligno que se opõe à Deus, certamente foca seu ataque no núcleo mais básico da sociedade que é a família. Se há uma fragilidade e deficiência na espiritualidade cristã atual, podemos entender que esse problema começa no lar e no ambiente familiar e se propaga para a família cristã que é a igreja.
Nosso desejo nesse mês de maio é focar o tema família procurando reagir a esse estado de coisas e promover o fortalecimento das relações familiares e por conseqüência, das relações cristãs na igreja. Que assim seja.
Pr. Marcelo C.Silva