O cenário: guerra civil de Uganda, década de 70. O personagem: Kefa Sempangi, pastor de uma igreja dilacerada pela guerra civil. Os membros: órfãos, viúvas e mutilados. O fato: foi expulso do país pelo ditador Idi Amin e acabou morando como exilado nos EUA. Após dois anos dedicados ao estudo da Teologia notou uma mudança ocorrendo na sua vida:
Em Uganda líamos a Bíblia procurando por esperança e vida. Líamos para escutar as promessas de Deus e seus mandamentos, pois queríamos Lhe obedecer. Não havia tempo para discussões sobre textos ou versículos. Agora em meio à segurança de uma nova vida me pegava lendo a bíblia para analisar textos e fazer especulações. Não nos reuníamos para confessar nossos pecados e pedir perdão, mas para debater.
Minha maior mudança ocorreu em minha vida de oração. Em Uganda eu me recusava a parar de orar ajoelhado até estar certo de que estivera na presença do Cristo ressurreto. Eu não precisava de uma bênção. Ansiava por ver Aquele que abençoa. Agora, quando eu orava, estava mais preocupado em estar teologicamente correto do que estar na presença de Deus.
Uma noite, fiz minhas orações de maneira rotineira e estava prestes a me levantar quando ouvi a convincente voz do Espírito Santo:
"Kefa, por quem você estava orando? Era isso que você desejava? Eu estava acostumado a ouvir o nome das crianças em suas orações, bem como de seus amigos e parentes... Agora você ora pelos ‘órfãos', pela ‘igreja' e pelos ‘outros refugiados'. Quem são estes refugiados Kefa? Quais cristãos? Que órfãos? Quem são essas pessoas e o que você quer para elas?"
Aquilo foi uma forte repreensão. Quando caí novamente de joelhos e pedi perdão pelo meu pecado de descrença, sabia que não eram apenas minhas orações que tinham mudado. O próprio Deus havia se tornado uma figura distante. Ele se tornara para mim um assunto de debate, algo abstrato. Não mais orava para ele como um Pai, alguém que está vivo, mas como um ser impessoal que não se importava com minha descrença e falta de atenção.
Daquela noite em diante, minhas orações tornaram-se específicas. Eu orava por pessoas reais, que tinham necessidades reais. E não demorou muito tempo para que voltasse a me encontrar face a face com o Deus vivo.
Qual tem sido o conteúdo da tua oração? Tua oração tem o foco principal em ti mesmo na busca de bênçãos ou em Deus e nas necessidades do próximo? Aliás, tens orado ultimamente? Avalie e verás uma estreita relação entre o conteúdo das tuas orações e o que pensas e crês a respeito de Deus.
O conteúdo das tuas orações revela a qualidade do teu relacionamento com o SENHOR.
Roger Zilz