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Poesia – Emparedados

Emparedados, por nossos próprios muros cercados
De preferência que sejam altos
Para não sermos incomodados
Quem sabe blindados
Para não sermos machucados
Ou ainda reforçados
Para não escutá-los

Criamos fortalezas
Mas não nos damos conta que estamos presos
Não apenas pelos seus muros
Mas pelo nosso próprio mundo

Já não sabemos…
De quem fugimos?
De quem nos protegemos?

Ignoramos o que há lá fora
E quando alguém bate à porta
Fechem as comportas!

No fundo fugimos da guerra
Treinamos e nos fortificamos
Mas quase nunca vamos a campo

Temos medo de ouvir os que clamam
De enxergar em seus olhos um pedido de socorro
Esquecemos que nosso Rei já está à frente
E que a única honra que há nesta guerra
É nossa vida, sem nada em troca, poder dar

Fomos recrutados para os feridos resgatar
E não para ficarmos emparedados,
Confinados em nosso próprio bem-estar.

Liliam Miranda