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Família de Deus

Por Vern Poythress[1]

Os cristãos hoje podem verificar que a literatura que trata da questão dos papéis masculino e feminino na família, na igreja e na sociedade vem se expandindo rapidamente. Em grande parte, porém, ainda damos pouca atenção ao ensino bíblico acerca das relações entre as duas instituições-chave: a família e a igreja. Tais relações levam a algumas conclusões claras sobre esses papéis.

Em nossos dias, os que possuem uma compreensão profunda da autoridade da Bíblia diferem sobre a questão dos papéis masculino e feminino. Por um lado, pessoas como James Hurley, Susan Foh e George Knight III afirmam que a Bíblia prescreve papéis diferentes para homens e mulheres, tanto no matrimônio quanto na igreja. Por outro lado, estudiosos como Patricia Gundry, Aida Spenser e Gilbert Bilezikian advogam uma uniformidade de papéis virtualmente completa, no casamento e na igreja. No meio, porém, há um terceiro grupo, não tão bem definido, que defende uma diferenciação de papéis no matrimônio, mas não na igreja.

Particularmente, pertenço ao primeiro desses três grupos. Aqui, porém, desejo enfocar apenas uma parte do argumento, a saber, a relação entre família e igreja. Não posso apresentar de outra forma as afirmações com respeito a Gênesis 2, Efésios 5.22-33; Colossenses 3.18-21; e 1 Coríntios I 1.2-16. Antes, pressupondo que Efésios 5.22-33 oferece-nos um modelo permanente para papéis irreversíveis no casamento, quero mostrar que tal irreversibilidade continua dentro do contexto da vida da igreja. Contudo, meu argumento poderia ser revertido: se fosse verdade que a identidade de papéis é desejável no matrimônio, também seria verdade que temos um argumento a favor da identidade de papéis dentro da igreja.

A Bíblia ensina-nos a chamar Deus de “Pai nosso” (Mateus 6.9). Nós, os redimidos por Jesus Cristo, somos filhos de Deus (Gálatas 4.l-7). Essas duas afirmações bíblicas estão entre as muitas nas quais a Bíblia estabelece uma analogia entre uma família humana e a igreja. Por meio dessa analogia de família, Deus nos faz algumas das mais preciosas promessas com respeito a seu amor no presente, à nossa herança futura e à nossa comunhão íntima com ele (por exemplo, Romanos 8.12-17; Hebreus 12.5-1 l; Apocalipse 21.7).

As implicações práticas desses “ensinamentos familiares” são tão profundas e multifacetadas que é impossível compreendê-las em sua totalidade. Concentremo-nos aqui apenas em um conjunto de implicações – naquelas voltadas à nossa conduta mútua dentro da comunidade cristã. A Bíblia convida-nos a usar esses ensinamentos familiares para fazer algumas inferências específicas sobre os respectivos papéis de homens e mulheres dentro da igreja. Em poucas palavras, o argumento é apresentado como segue: assim como maridos e pais devem exercer uma liderança piedosa em suas famílias humanas, homens sábios e maduros devem ser apontados como líderes paternais na igreja (1 Timóteo 3.1-7). Um papel particularmente importante pertence também às mulheres mais maduras (l Timóteo 5.9-17; Tito 2.3-5). Como mães sábias da igreja, a elas cabe treinar suas filhas espirituais pelo exemplo e pela palavra. Mas, assim como no caso do matrimônio (Efésios 5.22-33), as funções respectivas de homens e mulheres, não são reversíveis, em todos os sentidos. Os homens – e não as mulheres – são chamados a exercer essa autoridade claramente paternal como “presbíteros”.

O Povo de Deus como uma Família no Novo Testamento

Observemos detalhadamente agora as etapas desse argumento. Em primeiro lugar, considere a variedade de ensinamentos neo testamentários comparando o povo de Deus a uma família. A confissão de que Deus é nosso Pai pertence a uma linha extremamente fundamental do ensino neo testamentário, começando com a oração exemplar de Jesus no Sermão do Monte (Mateus 6.9) e continuando através dos muitos casos em que Deus é chamado de “Deus Pai”. A Bíblia nunca quer dizer simplesmente que Deus é o Criador de todos os seres humanos. Ter Deus como Pai implica ter comunhão familiar íntima com ele (Romanos 8.14-17) e refletir seu caráter santo (1 Pedro 1:14-17). Cristo, o unigênito Filho de Deus, tem Deus como seu Pai num sentido único. Além dele, apenas os cristãos – isto é, os que receberam o Espírito de Cristo – podem clamar com justiça: “Aba, Pai” (Romanos 8.15). Os que estão fora de Cristo tem o diabo como pai e querem realizar os desejos de seu pai (João 8:44; cf 1ª João 5.l9).

Assim, os cristãos são chamados de “Filhos de Deus”, em forte contraste com os não cristãos, que estão fora da família de Deus (1ª João 5.1-5). Ser chamado de filho de Deus tem muitas implicações. Temos comunhão íntima com Deus Pai (Romanos 8.15); Jesus Cristo é nosso irmão mais velho (Romanos 8.29); fomos adotados legalmente, saindo da condição de servos (Gálatas 4.1-7); não somos mais escravos (Gálatas 4.7; Romanos 8.15); receberemos a herança plena de Deus como coerdeiros com Cristo (Romanos 8. 17); fomos conformados ao padrão da morte e da vida ressuscitada estabelecido através de Cristo (Romanos 8.11-13); compartilhamos do Espírito familiar comum, o Espírito Santo (Romanos 8:14-15); fomos refeitos à imagem de Deus (Romanos 829); nascemos de Deus (1 João 5.4; João 1:12-13); como crianças obedientes, devemos imitar o bom caráter de nosso Pai (Efésios 5.1; 1ª Pedro 1:14-17).

Pelo fato de Deus ser nosso Pai nesse sentido íntimo, e como Jesus Cristo é nosso irmão e nosso advogado todo-suficiente com o Pai, não precisamos de nenhum outro intermediário humano para levar-nos a um contato com Deus. Em relação a Deus Pai, somos irmãos de todos os outros cristãos. Devemos ser servos uns dos outros, e nenhum de nós deve dominar os outros (Marcos 10:42-45). Portanto, Jesus critica especificamente o uso de títulos honoríficos que poderiam contradizer nossa condição de filhos e minar nosso senso de intimidade com Deus:

Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus. Tampouco vocês devem ser chamados ‘chefes’, porquanto vocês têm um só Chefe, o Cristo. O maior entre vocês deverá ser servo. Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. (Mateus 23:8-12)

A ênfase do próprio Jesus sobre a humildade e o serviço e o contexto mais amplo de Mateus 23, onde Jesus está criticando os fariseus, indicam que Jesus não está apresentando uma regra Iegalista sobre o mero uso verbal das palavras “pai” e “mestre”. Ao invés disso, ele está criticando uma atitude do coração. Devemos reconhecer sempre o caráter fundamental da comunhão cristã. Nossa condição comum como irmãos implica que devemos submeter-nos a Cristo e servir uns aos outros.

Na verdade, então, o ensino de Jesus complementa outros ensinamentos nas epístolas neo testamentárias que atribuem de fato um papel especial a pastores e mestres (por exemplo, Efésios 4.11). O relacionamento mais fundamental é a relação Pai-Filho entre Deus e os fiéis cristãos. Porém, o cuidado paternal de Deus deve ser refletido no cuidado mútuo entre os cristãos dentro da igreja. Por exemplo, Cristo é nosso Mestre no sentido mais sublime (Mateus 23:10; João 13.13-14). Da plenitude de sua sabedoria e de seus dons de ensino, ele distribuiu dons à igreja e, assim, faz com que alguns sejam mestres subordinados ou assistentes (Efésios 4.7,11). Cristo é nosso Pastor em um sentido único (João 10:11-18). Ele também transmite dons a seres humanos que, então, tornam-se sub-pastores (1ª Pedro 5:1-4). Deus Pai e Cristo são os modelos definitivos que devemos imitar (1ª Pedro 1:14-15; Romanos 8:29). Em termos de subordinação, porém, temos de imitar os bons exemplos estabelecidos por fiéis mais maduros (1ª Coríntios 11:1; Filipenses 3:17; 1ª Timóteo 4:12 e Tito 2:4 e 7).

A Família de Deus em 1ª Timóteo

O tema dos relacionamentos familiares em particular é proeminente na primeira carta de Paulo a Timóteo. Paulo invoca repetidamente a analogia de uma família a fim de que Timóteo possa entender melhor a ordem e as responsabilidades apropriadas dentro da igreja cristã. Paulo chama Timóteo de seu “filho”, expressando ao mesmo tempo sua afeição e a relação disciplinadora que há entre eles (1ª Timóteo 1:2 e 18). Ele aconselha Timóteo a tratar um homem idoso “como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; e às moças, como a irmãs” (1ª Timóteo 5:1-2). Se uma viúva tiver filhos ou netos, eles devem cuidar dela (1ª Timóteo 5:4). Caso a família imediata esteja necessitada, porém, a família cristã mais ampla deve cuidar da viúva (1ª Timóteo 5:5 e 16).

Os bispos ou presbíteros devem ser homens de família respeitáveis:

É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? (1ª Timóteo 3:2-5).

A exigência de “governar bem a sua própria casa” é particularmente importante, pois a mesma sabedoria e as mesmas habilidades necessárias para um bom governo familiar aplicam-se também ao governo da igreja de Deus.

Finalmente, o apóstolo Paulo indica explicitamente o papel proeminente do tema familiar, em 1ª Timóteo 3:14-15:

Escrevo-lhe estas coisas embora espere ir vê-lo em breve; mas, se eu demorar, saiba como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade.

De fato, esses versículos resumem o impulso de toda a carta. A expressão “estas coisas”’ é claramente entendida como referindo-se ao conteúdo da carta como um todo. Assim, a epístola inteira tem o propósito de indicar “como se deve comportar na casa de Deus”.

Teoricamente, a referência à “casa (família) de Deu”’ poderia envolver uma dentre duas ideias, a saber: comunhão com Deus na “casa” ou “templo” de Deus, ou uma família administrada por Deus. Em alguns contextos dentro da Bíblia, enfatiza-se a ideia de Deus habitando entre seu povo como num templo (1ª Coríntios 3:10-17). No contexto de 1ª Timóteo, porém, a ideia de ordem e organização familiar é obviamente a mais explícita. A ordem da igreja é análoga à ordem de uma família humana. Os membros da igreja devem tratar uns aos outros como se fossem membros de sua própria família (1ª Timóteo 5:1-2). Devem cuidar uns dos outros quando necessário (1ª Timóteo 5:5 e 16). Os bispos têm que ser homens hábeis no governo da família de Deus, conforme demonstrado através de sua habilidade anterior com suas próprias famílias (1ª Timóteo 3:1-7).

Aplicações da idéia de Família

Em 1ª Timóteo, a analogia fundamental da família não está limitada meramente a um ou dois exemplos casuais ou a floreios retóricos pitorescos. Antes, é usada como base para argumentos e inferências a respeito das responsabilidades do cristão. O papel central da analogia está particularmente claro em 1ª Timóteo 3:5 “… se alguém não sabe governar sua própria família, como cuidará da igreja de Deus?” Paulo realmente apresenta um argumento: a boa liderança familiar deve ser um dos critérios para alguém ser indicado para a posição de bispo, pois as mesmas habilidades e competências são exigidas na supervisão da “própria casa” e da “casa cristã”. Paulo não espera que Timóteo simplesmente entenda suas palavras pelo fato de este ou aquele critérios se aplicarem aos bispos. Ele espera que Timóteo veja a sabedoria – sim, a inevitabilidade – desse critério com base na validade da analogia. Indiretamente, supõe-se que Timóteo está até mesmo sendo convidado a usar ele próprio o mesmo argumento, se alguém porventura tivesse dúvidas a respeito.

Da mesma forma, em 1ª Timóteo 5:1-2; podemos ver o início de um argumento. “Não repreenda asperamente ao homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos; as mulheres idosas, como a mães; e as moças, como a irmãs, com toda a pureza…” A palavra-chave da comparação “como”, poderia ser interpretada apenas como a introdução de meros exemplos. No entanto, todos os exemplos são exatamente do mesmo tipo, por usarem a analogia entre a igreja e as relações familiares. Em vista da declaração geral sobre a conduta na “casa de Deus”, em 1ª Timóteo 3:14-15, as comparações em 5:1-2 devem ser vistas como diversas formas de expor as implicações de se ser membro da família de Deus. Podemos perceber a obrigatoriedade das inferências. Você deve tratar os homens idosos como pais, os moços como irmãos etc., não apenas porque em algum sentido muito geral você tem de amá-los, mas porque você faz parte da mesma família espiritual. As atitudes em relação a qualquer outro membro da família devem levar em conta não somente o cumprimento de obrigações gerais com o amor, mas as distinções concretas introduzidas por diferenças de posições dentro da família: tratar alguns como pais, outros como irmãos, outras como mães, outras como irmãs. Assim, 5:1-2 pressupõe a estrutura de uma afirmação: A igreja é como uma família: portanto, você deve tratar os membros da sua igreja como integrantes da sua família.

A analogia da família, então, parece ser um elemento integrante da própria abordagem de Paulo à articulação da ordem cristã. De fato, poderia muito bem ser um meio pelo qual o Espírito Santo levou o próprio Paulo a compreender o ensinamento que ele transmite nas epistolas pastorais (1ª e 2ª Timóteo e Tito). Não temos certeza, claro. Paulo recebeu do Senhor revelações especiais maravilhosas (Atos 9:1-8; Gálatas 1:16; 2ª Coríntios 12:1-7). Mas ele também foi alguém que tinha “a mente de Cristo” (1ª Coríntios 2:16). Através da sabedoria e da percepção que o Espírito Santo dera a Paulo, ele entendeu os princípios básicos do cristianismo com uma profundidade tremenda. Sob a superintendência mansa do Espírito, ele foi capaz de transmitir ensinos inspirados em suas cartas, mesmo sobre assuntos que em suas experiências maravilhosas não tinha conhecido. Além disso, o apóstolo Paulo queria que todos os cristãos obtivessem uma compreensão profunda e superior da fé cristã. Os coríntios foram censurados por serem carnais, não tendo, como ele, a mente de Cristo (1ª Coríntios 3:1-4). Em Romanos 12:1-2, Paulo exorta acima de tudo sobre a necessidade de se crescer no entendimento da vontade de Deus: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Da mesma forma. ele disse: “Esta é a minha oração: que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção, para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça, fruto que vem por meio de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (Filipenses 1:9-11).

Como, então, podemos saber que tipo de ordem é adequada para a vida comunitária cristã? De certa forma, é possível saber isso porque Paulo nos revela em suas cartas. Mas como Paulo sabia? E como ele esperava que aplicássemos seus ensinamentos em circunstâncias um pouco diferentes das que ele abordou em suas epístolas? Paulo possuía tal sabedoria em parte porque ele havia absorvido profundamente a doutrina fundamental de Cristo sobre Deus ser nosso Pai e a respeito da obra salvadora de Cristo na cruz. A obra de Cristo reconciliou-nos com Deus e deu-nos uma comunhão familiar íntima com Deus, a comunhão de filhos (Gálatas 4:1-7). Somos membros da família de Deus. Essa estrutura familiar da igreja de Deus tem implicações claras acerca das formas específicas de amor a serem exercidas dentro da família (1ª Timóteo 5:1-2), do tipo específico de liderança necessária na orientação da família (1ª Timóteo 3:1-7), do tipo especifico de governo exigido ao tratar das necessidades familiares (1ª Timóteo 3:8-13) e assim por diante.

De fato, quase todo o texto de 1ª Timóteo pode ser visto como um catálogo de tipos de comportamento e organização necessários em uma família harmoniosa. A doutrina verdadeira é necessária porque a família precisa conhecer suas próprias regras (1ª Timóteo 1:3-11, 18-20). A doutrina, portanto, é fundamental para todos os tipos específicos de organização e de relações mútuas dentro da família. Misericórdia e perdão unem a família (1:12-17). É preciso haver proteção da interferência exterior destrutiva e para o benefício das relações familiares com o mundo mais amplo (2:1-7). Os homens da família não devem gerar discórdia entre si, mas unir-se em orações (2:8). As mulheres devem dedicar-se ao serviço familiar, e não a frivolidades (2:9-10) ou à usurpação da autoridade sobre os homens (2:11-14). A família deve ter bispos sábios e competentes (3:1-7); deve cuidar com sensatez das necessidades familiares (3:8-13). Em todos os aspectos deve conformar-se à ordem divina (3:14-16). As regras e os exemplos adequados dos líderes são muitíssimo importantes (4:1-16). Os membros da família devem tratar uns aos outros com o respeito, a honra e a sensibilidade adequados à sua condição mútua (5:1-6:2). Deve-se cuidar dos membros da família que estiverem em necessidades – uma responsabilidade preferencialmente dos que lhes são mais próximos (5:3-10). O uso do dinheiro deve sustentar os objetivos da família (6:6-10, 17-19).

Resumindo, o tema da família de Deus percorre 1ª Timóteo, sendo usado apropriadamente como a base para inferências sobre o comportamento cristão, não meramente como um exemplo casual.

[1] Poythress, Vern “A Base Bíblica da Igreja como Família”, capítulo 1 do livro “The church as a family; why Male leadership in the family requires male leadership in the church as well” Council on Biblical manhood and Womanhood, Crossway Books, Westchester, Illinois, 1990